Rainha de Inglaterra condecora Lino Pires pelo seu trabalho de beneficência e serviços prestados à comunidade.

Lino Pires tem 80 anos e emigrou para Inglaterra há cinco décadas, mas ainda se emociona quando fala de Portugal. A rainha Isabel II decidiu condecorá-lo pelo seu trabalho de beneficência e serviços prestados à comunidade. A medalha foi entregue esta quarta-feira.

Lino Pires olha para o espelho e vê um “gajo todo aventureiro”, que casou com a colega de carteira da escola primária e emigrou para Inglaterra em 1960. Tem sido uma vida de trabalho e a ajudar o próximo, uma faceta solidária agora distinguida pela rainha Isabel II, com a medalha da Ordem do Império Britânico.

A história de Lino Pires começou a ser “escrita” há oito décadas. Ainda não deu um filme, mas já há um livro da aventura iniciada na pequena aldeia de Vinha, distrito de Castelo Branco.

Em entrevista à Renascença, não esconde o orgulho pelo caminho percorrido e pela medalha da Ordem do Império Britânico que recebeu esta quarta-feira das mãos de Lord-Lieutenant of Warwick, o representante da realeza no condado de Warwickshire.
O encontro com a rainha aconteceu na semana passada, no Palácio de Buckingham, em Londres, onde teve oportunidade de reencontrar e trocar algumas palavras com Isabel II e com o duque de Edimburgo.

“Falei com ela e falei com ele. Disse à rainha que ela ainda estava fresquinha, como em 1957, e ela riu-se”, revela o beirão, que já tinha servido Isabel II em Portugal, há mais de cinco décadas.

Lino Pires, de 80 anos, angariou ao longo dos anos muitos milhares de libras para ajudar várias causas sociais e instituições. Fala de uma com especial emoção: o centro de pesquisa de cancro do hospital Royal Marsden, onde o filho, Peter, foi “salvo” e a mulher, Augusta, com um cancro no pâncreas e um prognóstico de seis meses de vida, resistiu mais seis anos graças a tratamentos inovadores.

“Gosto muito de ti. Amo-te”

Lino Pires conheceu a mulher, Augusta, nos bancos da primária e foi amor à primeira vista. “Ela tinha seis anos, eu tinha sete. Eu estava numa carteira com ela. Deixámos a escola aos 12 anos e deixei-lhe um papel escrito: ‘Eu gosto muito de ti. Amo-te’. Aos 17 anos, encontrámo-nos novamente e ela ainda tinha aquele papel e assim continuamos.”
Completou a terceira classe e ainda menino foi trabalhar para Castelo Branco, primeiro para uma taberna e depois para o mais afamado café Arcádia. Andou nas obras, cavou do “nascer ao pôr do sol” os campos agrícolas, até que foi chamado para a tropa, onde finalizou o ensino primário.

Depois de dois anos a marchar, despediu-se dos camaradas de armas e foi batalhar pela vida. Vestiu a farda de empregado de quarto para o hotel Seteais, em Sintra, e mais tarde aceitou uma proposta de trabalho no Reino Unido, a ganhar sete libras por semana.

Juntou dinheiro e, em 1972, comprou um pequeno “pub”, o “Butchers Arms”, situado em Priors Hardwick, a cerca de duas horas de Londres, um negócio “às cegas”, feito por instinto”. “Havia um cliente que estava a beber, às duas da manhã, no restaurante onde eu trabalhava. Eu disse que andava a ver uma casa e ele disse ‘epá, eu tenho uma. Vendo-ta’. Eu disse-lhe ‘quanto é que tu queres por ela’ – naquela altura era uma média de uns 50 contos – apertei-lhe a mão e disse que a ‘casa agora é minha, já a comprei. Agora diz-me onde é'”, recorda Lino Pires.

Com a ajuda da família, colocou o “Butchers Arms” no mapa e transformou o bar num restaurante com “fama em todo o mundo”. “A minha mulher e eu só queríamos trabalhar juntos, sete dias por semana, sem um patrão. Era só o que nós queríamos, não era dinheiro.”

Sobre a crise aguda que assola Portugal, Lino Pires tem “muita pena” das famílias com filhos para sustentar e critica os governos que “gastaram tão mal” o dinheiro da União Europeia. Aos políticos portugueses recomenda que peguem no telefone e falem uns com os outros, para ajudar o país. Apela à união para ultrapassar as tormentas e recorda os exemplos de D. Afonso Henriques e dos navegadores dos Descobrimentos.

Lino Pires também tem assistido ao crescimento acelerado da comunidade emigrante portuguesa em Inglaterra. A quem pensa emigrar, apela à bondade. “Não se esqueçam de Portugal. Trabalhem com paixão, ajudem os vizinhos, sejam eles ingleses, espanhóis, italianos. Se formos bons para as outras pessoas, depois a vida é mais fácil.”

Notícia recomendada por:Catarina Belard Silvano (https://www.facebook.com/catarina.belardsilvano?hc_location=stream)

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Fonte: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=26&did=111511#.UcIlBdTdpQw.facebook

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