“Regina” ou “Jubileu”, todos no império dos chocolates

Era apenas uma fábrica de produção regional quando foi comprada pelo grupo RAR. Hoje, os chocolates que produz estão no mundo.

As máquinas estão paradas porque é dia de testar um novo produto, mas o cheiro a chocolate é intenso. A temperatura acompanha as fases de produção: de um lado quente, do outro frio. Os computadores estão ligados à mais alta tecnologia, adquirida recentemente pela empresa. Basta seleccionar a receita pretendida e o processo avança. Esta é a casa onde nasceram as famosas Bom-Bokas, já fora do mercado, e muitos outros chocolates cheios de cor. Quem não se lembra das fantasias ou das pintarolas, quem nunca provou Jubileu ou cozinhou com Pantagruel?

A história da Imperial começa em 1932, em Vila do Conde, e muda-se para muito perto, em Azurara, em 1968. Era apenas uma empresa regional quando, cinco anos mais tarde, foi descoberta pelo grupo RAR. “O dono do grupo RAR, João Macedo Silva, tinha uma grande visão empresarial e estava numa fase de diversificação de negócios. Considerou que a Imperial tinha um grande potencial”, conta ao DN a mulher que dá a cara pela empresa, Manuela Tavares de Sousa.

Na sala de reuniões onde os produtos da Imperial estão expostos, lado a lado, sobre um aparador, Manuela conta como, numa década, a Imperial ficou a ser conhecida em todo o País. “A empresa fez um investimento ao nível de equipamentos de produção, decidiu uma estratégia de marketing e começou a lançar marcas emblemáticas, como as Bom-Bokas, as Fantasias de Natal, Pintarolas, Pantagruel e Allegro”. Quem não se lembra dos anúncios das Bom-Bokas e das Fantasias de Natal?

Para comemorar os 50 anos da Imperial, em 1982, a empresa lançou a marca Jubileu, que rapidamente passou a líder do mercado. “Em 1984, uma em cada duas tabletes de chocolate vendidas eram Jubileu. Tínhamos 50% da quota do mercado.”

Enquanto a Imperial crescia, em Lisboa os chocolates Regina atingiam o seu apogeu para acabarem por recuar nas vendas com a entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia. A presença de multinacionais no País e a concorrência cada vez mais feroz derrubou os chocolates Regina.

“Em 2000, a Imperial adquiriu a Regina e fez um estudo de mercado. Concluiu que a marca tinha uma notoriedade superior a 90%.” Dois anos bastaram para a relançar no mercado, à marca e a todos os seus produtos históricos, como o chocolate com sabores a frutos tão variados como a laranja.

Para o sucesso do projecto contribuiu o Departamento de Investigação e Desenvolvimento de Produtos, uma equipa transversal a todos os departamentos da empresa, que inclui pessoal da área de exportação, da qualidade, do marketing, da direcção. A estratégia, refere Manuela Tavares de Sousa sem medos, passa pela “inovação de produtos e diversificação de mercados”.

Para isso, explica, é necessário que todos estes mercados sejam analisados. Sabia que os japoneses gostam do chocolate mais amargo e de caixas mais pequenas? Ou que no Brasil consome-se tabletes de chocolate mais leves e cremosas? A Imperial já lhes fez a vontade. “Criámos uma caixa mais pequena para os japoneses e o Jubileu Air para o Brasil.”

Todos os anos, a empresa lança mais de dez produtos. As últimas novidades são o chocolate com sabor a maracujá e os bombons em forma de coração. O crescimento da empresa obrigou, em 2007, a um investimento tecnológico que rondou os dez milhões de euros. A própria gestora também investiu em si para garantir o sucesso do cargo. Começou a trabalhar na Imperial recém-licenciada em Engenharia Química. Acabou por se especializar em chocolates na Alemanha e ainda fazer uma licenciatura em farmácia. Assegura que o chocolate não faz mal à saúde, desde que com moderação. E faz um ar enigmático quando lhe perguntam se as Bom-Bokas vão voltar.

Fonte:http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=2168636&especial=Made%20in%20Portugal%20-%20M%EAs%20das%20Marcas%20com%20Hist%F3ria&seccao=ECONOMIA

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